Como administrar a matéria acumulada

A primeira coisa que você precisa entender sobre o conteúdo acumulado é que é absolutamente normal que isso aconteça. Mesmo os alunos mais bem organizados e disciplinados não conseguem evitar que uma ou outra tarefa deixem de serem feitas dentro do prazo ideal. Claro que existem um ponto a partir do qual isso se torna uma problema grave e você precisa rever a sua gestão do tempo e compromisso com o seu objetivo, mas nem todo conteúdo acumulado significa que a sua preparação vai mal e que suas chances de aprovação são menores.

Certas situações e necessidades impossíveis de serem previstas e planejadas surgem na nossa vida e, muitas vezes, precisamos deixar de estudar para resolver problemas mais urgentes. Enquanto você se planeja e se organiza, a vida acontece sem pedir licença e ela não quer saber se você precisa passar no vestibular.  Muitas vezes a carga de trabalho é muito grande e você simplesmente não dá conta de todas as tarefas da semana e precisa deixar algo para depois.

Mas também não pense que agora está liberado deixar acumular conteúdo porque o professor falou que é normal. Essa é uma questão que precisa de cuidado permanente para que não saia do seu controle. Saber gerenciar esse conteúdo acumulado é tão importante quanto gerenciar qualquer outro aspecto da sua preparação. Se não for possível manter tudo sempre em dia, você precisa aprender a conviver com as tarefas acumuladas, evitando um crescimento exagerado para que  se mantenham em um tamanho adequado para serem administradas mais facilmente.

Então, é isso que nós vamos fazer: organizar, passo-a-passo a gestão das suas matérias acumuladas para que você consiga colocar as coisas em dia e elas deixem de ser um peso na consciência.

 

1. Não deixe de avançar na matéria nova

Um regra de ouro nesse processo de recuperação é não esquecer da matéria que está vindo. Se você largar o presente para colocar em dia o passado, você só vai trocar uma coisa por outra e sempre terá a mesma quantidade de matéria acumulada.

A recuperação não pode atrapalhar a sua evolução. Ela deve ser parte do processo e não o processo inteiro. Ela pode modificar a maneira como você evolui, mas não pode impedir você de continuar avançando

Por isso é importante não só planejar a recuperação, mas replanejar o seu progresso. Se a matéria está acumulando porque o seu cronograma de estudos está muito apertado, ela provavelmente vai continuar acumulando, ainda mais agora que você ainda precisa de mais tempo de estudo para as recuperações.

Procure identificar na sua rotina de estudos os pontos que não estão funcionando. Aquilo que você não está conseguindo cumprir é um ponto sensível que deve ser replanejado para que você não continue colocando mais matéria na pasta “itens acumulados”, ou pelo menos reduza a quantidade de atividades que você deixa para trás a cada semana.

Dessa maneira, você vai avançar de forma mais consistente na matéria nova, vai ganhar confiança e vai eliminar a sensação de que a sua preparação está abalada. Outro importante ganho é que você vai parar de engordar o monstro da matéria acumulada, ou pelo menos obrigá-lo a fazer uma dieta, reduzindo o fluxo de acúmulo para que ele seja menor do que o fluxo de recuperação e o monstro diminua de tamanho.

 

2. Tempo versus carga de trabalho

Uma outra reflexão que precisa ser feita antes de considerar, precipitadamente, que a matéria acumula por incompetência ou falta de dedicação do estudante, é se a carga de trabalho é compatível com o tempo disponível.

Alguns alunos têm a possibilidade de se dedicarem exclusivamente ao estudo e, mesmo com todo esse tempo disponível, a matéria acumula. Mesmo que ele cumpra o seu planejamento, ocupe de forma eficiente o seu tempo, não procrastine e contorne imprevistos, ele não dá conta de tudo. O problema é que ele tem atividades de mais. Simplesmente não é viável dar conta de tudo o que está previsto.

Em outros casos, que são maioria no nosso país, o aluno não pode se dedicar somente ao estudos e precisa, por exemplo, trabalhar durante o dia e fazer cursinho ou estudar à noite. Nessa situação, fica evidente que, mesmo que a carga de atividades semanais seja menor, ele dificilmente dará conta de tudo.

Para ambos os casos o problema é o mesmo: o tempo disponível e a carga de atividades não são compatíveis e o acúmulo de matéria é inevitável. Como resolvemos isso?

Você precisa fazer todos as questões daquela semana? Se o conteúdo da aula da semana for importante, faça mais questões, mas se a aula que você assistiu na semana era sobre algo menos importante, dedique menos horas a ele e não se culpe por aquilo que ficou de fora.

Faça menos, mas faça algo. Escolha de forma estratégica onde fazer mais e onde fazer menos. Se der tempo, você retoma. O importante é se sentir no controle da situação. Você sabe que está deixando coisas para trás, mas foi uma decisão planejada de acordo com a sua realidade.

Quando fica evidente que você não consegue dar conta de tudo, lutar contra essa realidade só lhe prejudica porque abala a confiança e joga o emocional lá para baixo, isso diminui a disposição para o estudo e faz a matéria acumular ainda mais.

 

3. O que você vai recuperar

Antes de começar a retomar o  que ficou para trás, você precisa pensar no que você vai realmente colocar em dia. Você vai estudar tudo que deveria ter estudado e não estudou? Essa opção só é viável se houver tempo hábil para isso. Se você consegue montar e cumprir uma rotina que dê conta do que está acumulado e também do que está vindo de novidade nas aulas, você tem chance de recuperar, caso contrário, você deverá fazer uma seleção estratégica do que deve ser estudado. Você vai precisar escolher conteúdos para não estudar ou estudar com uma ênfase menor.

Se você precisar eliminar conteúdos ou dar menos ênfase em algum, essa seleção vai depender de quanto tempo falta para a prova e do quanto está acumulado. Quanto mais perto do prazo e quanto mais acúmulo, maior serão os cortes e os riscos.

Se possível, não siga a ordem cronológica do seu livro ou curso e priorize aqueles atrasados que têm grande chance de serem cobrados. Depois que você colocar esses em dia, você vai ganhar mais confiança e tranquilidade para seguir a sua retomada. Mesmo que a sua proposta seja recuperar tudo o que acumulou, estude primeiro os mais cobrados. Se imprevistos surgirem mais para frente que atrapalhem o processo de recuperação, pelo menos o mais importante já está garantido.

A estratégia da ênfase menor também é muito útil nesses casos e bastante efetiva. Se você tem 50 exercícios de uma uma matéria que tem pouca chance de cair, você pode fazer só a metade deles, ou uma quantidade que caiba no seu planejamento.

Para ajudar nessa seleção, a internet está cheia de análises de provas que mostram os conteúdos mais cobrados de cada matéria. Eu mesmo faço análise das questões de Física do ENEM e atualizo todos os anos. A desse ano você encontra nesse link.

4. Onde encaixar horários para recuperar a matéria


Agora que você está cuidando da matéria que está sendo dada e já identificou os pontos que estão acumulados e você deseja retomar, é preciso encontrar tempo para isso.

A primeira e mais óbvia solução é abrir mais horários de estudo para isso. Trocar algumas horas de lazer por estudos de recuperação. Essa opção é viável para quem tem tempo disponível, mas tem que se tomar cuidado para não gerar um excesso desmotivador de estudos.

Outra reflexão importante é que, nem todo tempo do mundo vai lhe ajudar se você não cumprir com o seu planejamento e ficar procrastinando. Planejar é fundamental, mas o que te faz passar é cumprir esse planejamento. Nesse caso, o seu problema não é tempo, nem carga de trabalho e sim prioridades. Você precisa olhar para dentro e se perguntar o que você realmente deseja conquistar.

Para quem não tem como abrir novos horários de estudos, a solução é dividir a sua grade de horários entre a matéria nova e a acumulada, mas sempre dando prioridade para a nova. Lembre-se, avançar é fundamental. Por exemplo, se você tem quatro horas semanais para estudar física, comece a dedicar uma dessas horas para a recuperação. A matéria nova vai avançar mais devagar, mas você pode aplicar a estratégia da ênfase nela também.

Encontre o seu ponto de equilíbrio para que você avance de forma satisfatória, mas sem esquecer do que ficou para trás sem nunca ter sido visto. Assim, você tem contato com toda a matéria em um nível de aprofundamento que é proporcional a chance que ela tem de cair na prova.

Entenda que, se você tem um mês de matéria acumulada, você vai precisar de mais de um mês para recuperá-la usando essa estratégia.

É como uma empresa endividada. Ela tem um bolo de dívidas passadas que estão atrapalhando o funcionamento das suas operações. Ela renegocia essas dívida e parcela esse montante em vários meses. Mas, enquanto isso, ela precisa continuar fazendo novas compras, pagando funcionários e outros encargos a cada mês. Então, a maior parte da arrecadação com as vendas é destinada com os pagamentos do mês corrente e uma parte menor é destinada para a dívida renegociada. Assim, ela continua avançando enquanto cuida do que ficou para trás.

Trata-se de um problema de gestão e que se resolve tornando essa gestão mais eficiente com estratégia e planejamento, enquanto você constrói o seu auto-conhecimento e descobre como ser mais eficiente, analisando seu erros e acertos, sempre evoluindo.

A gente se vê em uma próxima oportunidade. Fui nessa, falou!

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